No início deste ano elegemos mais um presidente para o nosso Brasil. A diferença das outras eleições é que pela primeira vez na história do Brasil foi eleita uma mulher para assumir o país.
Abaixo segue um artigo de uma garota mineira que sempre ouviu o pais falarem sobre política e ao ver uma mulher assumir a presidência do Brasil sentiu vontade de escrever e deixar registrado seu pensamento.
Leiam, vale a pena!!!
Denise de Paula Resende
Belo Horizonte, MG
Sou mulher e tenho 28 anos. Até os 15, morava na capital paulista, onde nasci. Vivi em casa, desde criança, no mundo de Lula. Meu pai era metalúrgico e trabalhava nos movimentos sindicais e, depois, partidários. Cresci nos ombros dele em grandes comícios do PT, gritando LULA LÁ e balançando as bandeiras que minha mãe mesma confeccionava. Lula lá, brilha uma estrela... Talvez eu não entendesse o que era o “lá”, mas eu sabia bem que uma estrela brilhava. Eu gostava desse verso. PT era o Partido dos Trabalhadores e meu pai era trabalhador. Eu também sabia disso porque quase não o via em dias de semana. Crescia assim. Era menina que ia a reuniões de partido, fazia boca de urna e ouvia bem atenta as histórias sobre a ditadura.Na verdade, sempre quis ser um pouco mais velha e pintar meu rosto para comparecer nas Diretas Já. Meus colegas do colegial eram liberados do horário de aula para participar desse movimento. Sentia pesar por não ter nascido pelo menos uns 10 anos antes. Vivi o LULA LÁ, no grito; e, no meu primeiro voto, venci com o AGORA É LULA. Também levei o Lula para a faculdade. Em minhas pesquisas de iniciação científica e de mestrado, constou o nome desse agente político quase como uma marca registrada, um rastro.
Pergunto-me: por que nasce agora este anseio de escrever sobre o que sinto hoje, depois de tanto tempo inerte diante do idealismo sob o qual fui criada? No dia 1º de janeiro de 2011, marejei olhos, coração e razões com o que mostraram as sem-número de telas espalhadas pela vastidão deste país. Aquelas e aqueles brasileiros que puderam estar em Brasília foram privilegiados por fazerem juntos a amplitude de mais uma reatualização do canto “olê, olê olê, olá, Lula, Lula”, como gesto de despedida ao Homem. Foram oito anos de uma história impagável de um presidente chamado Lula e, atrás dos oito anos, mais do que o dobro de tempo de uma outra história, aquela que o levou ao poder. Foi o lado de lá passando para o lado de cá. A margem ocupando o centro. Não era uma tomada de poder, mas era o povo, privado desse poder por anos a fio, chegando lá, orgulhando-se de ser representado por Ele, que foi pobre e que é povo.
Em ocasiões diversas das celebrações da posse da nova Presidenta, boa parte das emissoras “limpou”, em suas retransmissões, a força dessa expressiva voz do povo. Não duvidemos: preferiram que nós tivéssemos mais ouvidos para a almofadada voz de seus comentários enaltecedores e cheios de malícias que ludibriam. Preparam-se para continuar sua missão de formar imaginários viciados em manter a classe dominante no poder, desenvolvendo sempre projetos obcecados pela marcha alienadora da produção de opiniões massificadas – uma outra ditadura, tão silenciosa quanto perigosa. Visões perigosas que querem não torturar, mas entortar olhares; vozes que não autuam, mas que algemam a capacidade de autonomia para a reflexão crítica. Vão continuar não admitindo que Lula é um dos homens mais respeitados do planeta, querendo retirar-lhe a honra tatuada em seu nome.
Entretanto, essa a que chamam grande mídia me parece à beira de uma mudança motivada pelo próprio avanço de tecnologias de informação – elas sabem disso. Não é possível, definitivamente, dizer mais que haja grandes e pequenas mídias. Os instrumentos de comunicação de nosso tempo diluem fronteiras freneticamente, tornando-as cada vez mais móveis, e têm forte poder de disseminação. O lugar virtual em que divulgarei este meu texto, por exemplo, pode torná-lo mais acessível do que um artigo publicado em um jornal impresso diário de grande circulação. Quero, pois, que minhas idéias voem feito passarinho, pois borbulham palavras nessas veias recém-chegadas a 2011.
Entendo nossa época assim. As beiradas sociais ganham voz e ocupam o centro. Esse evento se movimenta devagar, imperceptivelmente para alguns. Essa é uma marca do nosso tempo. Vejam: um operário de força bruta, a quem o destino parecia não reservar mais que o chão de fábrica, blindou-se de todas as Forças, e, um dia, democraticamente, ocupou, com uma inteligência social inédita, o maior cargo de gestor público, levando a força do povo para o núcleo do poder formal. Lula hoje é reconhecido mundialmente como pensador da paz que queremos ver. Pensador não só de sociologias, políticas, economias e outras ciências que se dizem sociais.
Observem mais: anda longe a nossa ousadia! As mulheres emergiram e tomaram lugar onde não lhes fora jamais permitido: nos locais públicos de frequentação exclusivamente masculina, nos cargos de administração pública, nos trabalhos de administração, nas ciências, na política, no prazer ou, até mesmo, por opção, nas suas próprias casas. Dos pensamentos feministas e de seus movimentos não é preciso dizer mais. Hoje, queimar peças íntimas nas praças públicas não é resposta. Não há mais o que responder e não é preciso tanta agressividade. Ser mulher é ser mulher. A mulher não precisa disputar com homens. Não há competições, mas parcerias. Lula e Dilma fizeram lembrar essa conjugação. Lula respeitosamente beijou sua sucessora na rampa e Dilma beijou, em um gesto inédito, um dos símbolos de nossa nação. Estamos no tempo em que não há dúvida do espaço da mulher na sociedade e de que seu lugar é algo que se pode discutir pacificamente, em busca de parcerias respeitosas.
Mulheres, mulheres. A elas são atribuídos tantos adjetivos que mostram sua face rosa, como a própria sutileza. Pois bem, as sutilezas de algumas mulheres muito ajudaram nas lutas contra a ditadura, momento mais machista da história do nosso país. De lá, nasceu Dilma – sutil e dura; mulher e proativa. Era possível?! Sim, existiam mulheres assim. Corajosa Dilma: donzela que já ficou presa em torres de castelos de um regime militar cruel e massacrante. Sem tranças, desceu de lá e subiu, poucos anos depois, no sol alto da tão sonhada democracia, a rampa do Planalto. Ela é hoje (pasmem!) chefe do chefe maior das forças armadas, tendo ele que lhe prestar todas as continências. O militarismo dos anos 70, claro, nada tem a ver com o nosso Exército, Marinha e Aeronáutica, mas, naquela época, eram os que haviam tomado o poder. Imaginava Dilma que iria chegar lá? Na verdade, o sangue e o suor de muita gente sujava naquela época a mesma bandeira a que Dilma ofereceu seu beijo, prometendo-lhe o respeito que não recebeu enquanto os homens de fardas preocupavam-se em caçar subversivos.
Essa mulher foi discreta até bem pouco tempo atrás. A maior parte do Brasil a conheceu quase nas vésperas de levá-la ao poder. A multidão também gritou “olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma...”, com uma emoção peculiar, que pude sentir por ser mulher. Tratava-se da primeira Presidenta e também da sucessora de Lula. Eu me convenci ainda mais de que fazer a história não é apenas vê-la. Naquele momento me senti realmente mais mulher! Orgulho e alegria de ser mulher, como disse Dilma em seu discurso. Senti o sangue quente e a possibilidade de movimento. Precisamos de nos movimentar a favor da justiça e do bem comum. Esse é o espírito da mudança que Lula trouxe e que Dilma continuará carregando. A mudança também foi lingüística e escolhida brilhantemente: temos uma Presidenta e não uma Presidente. Por mais que seja aceito o uso da forma Presidente, como um substantivo comum de dois gêneros, a forma eleita por Dilma carrega a flexão de gênero. Que a estranheza que muitos dizem trazer a palavra “Presidenta” provoque realmente estranhamento e sinalize a mudança.
Pergunta o leitor, imagino: aonde vai este texto que prometeu falar sobre beijo e sobre mulher? Decerto o beijo na Bandeira Nacional foi o ato mais solene dessa passagem. Dilma Roussef flertou com a Nação e abriu um campo vasto de metáforas em nosso imaginário: o casamento da Presidenta com o nosso país; ou, para quem não põe fé em casamento, o compromisso de lealdade e respeito à Pátria coberto por um jeito maternal e feminino. Ou ainda um beijo erótico: nosso jovem país nas mãos de uma mulher ousada. O que sentiram as brasileiras e os brasileiros com aquele gesto, na verdade, ultrapassa a possibilidade de elaboração. Ainda é cedo para dizer. A Presidenta Dilma inaugurou um espaço histórico e seu gesto foi a roupa mais perfeita para essa inauguração. Dilma levou sua filha para caminhar pelas ruas de Brasília com aquele antigo rolls royce. A relação entre maternidade e mulher é oferecida para a sociedade, com Dilma e sua filha no carro, como uma forma de acolhimento. Sua filha terá milhões de habitantes como irmãos nos próximos anos. Nas palavras de seu discurso de posse, a maternidade contextualiza a palavra “carinho”, dedicada à filha, ao neto e à mãe. Coragem e carinho são palavras que a Presidenta apresentou caseadas, prontas para serem aplicadas no cuidado que terá com os filhos dessa pátria mãe gentil.
Meus olhos marejaram mesmo quando a nova Presidenta citou Guimarães Rosa. Um trecho belíssimo que coincidentemente exponho, já há algum tempo, na parede do meu quarto: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. Em face da minha história e, sobretudo por ser mulher, não pude deixar de escrever para falar da coragem que representa o beijo na bandeira. Que ele represente o reconhecimento da mulher nos lugares que ocupa e que ainda precisa ocupar. Que ele desmistifique a liga da competição de gêneros e alimente a união de forças entre homens e mulheres pelo bem da sociedade. Que ele sirva como um símbolo contra os altos índices de violência contra mulheres, crianças e adolescentes. Que ele faça importantes instituições sociais repensarem suas posturas culturais e suas formas de disseminação. Que ele chegue aos grotões e às pequenas cidades que ainda tratam a mulher em esquemas medievais, fazendo-a viver uma vida de enfados, fardada por falsas morais. Que ele sirva para gerar o respeito às escolhas de cada indivíduo e sua repercussão social. Que ele reverbere nos corações dos homens e mulheres mais embrutecidos. Que a Bandeira Nacional não se esqueça jamais do seu primeiro beijo...
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Entidades defendem novo Enem opcional
Na proposta das entidades, aqueles que fizeram o exame aplicado no último final de semana, terão sua nota garantida. Já os estudantes que se sentirem prejudicados teriam o direito a pedir nova prova
Diante dos fatos ocorridos na aplicação das provas do Enem no último final de semana, as entidades estudantis UNE e UBES voltaram a se manifestar publicamente nesta terça-feira. Leia a íntegra da nota:
1. A UNE e a UBES se posicionam contra a anulação do ENEM 2010. Milhões de estudantes realizaram a prova em condições adequadas, prepararam-se, e a anulação da prova seria cometer uma injustiça com esta grande maioria.
2. A UNE e a UBES são intransigentes na defesa de que os estudantes prejudicados tenham o direito a realizar uma nova prova. Nenhum estudante pode ser prejudicado sob o risco de descredibilizar o ENEM.
3. A UNE e a UBES exigem que o MEC determine OBJETIVAMENTE os critérios para que os estudantes tenham direito a este novo exame. Se o MEC não tiver condição de determinar estes critérios, a UNE defende que o critério seja opcional, ou seja, todos aqueles que se disserem prejudicados devem ter o direito a esta nova prova. O estudante que optar por não fazer esta nova prova deve ter garantida a sua nota inicial.
4. A UNE e a UBES permanecem aguardando a retratação do MEC em relação ao post publicado no twitter da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação.
5. A UNE a UBES reivindicam a criação de um Instituto Federal que será o responsável pela aplicação das provas do ENEM.
6. A UNE a UBES reivindicam ainda a marcação de uma audiência com o ministro da Educação para que representantes das entidades estudantis e um grupo de estudantes prejudicados possam discutir os pelos problemas ocorridos no ENEM.
7. Defender o Enem é, antes de tudo, corrigir os seus erros. A UNE e a UBES voltam a ressaltar que NÃO se somam àqueles que se utilizam de equivocos para derrotar o ENEM. Na opinião da UNE e da UBES, o ENEM deve se consolidar na direção da democratização da universidade brasileira como são os casos do ProUni e da seleção de dezenas de universidades federais pelo país, superando o velho modelo do vestibular, cruel método de acesso ao ensino superior no pais. O Enem é também elemento fundamental na construção do Sistema Nacional da Educação.
Portal UNE
Diante dos fatos ocorridos na aplicação das provas do Enem no último final de semana, as entidades estudantis UNE e UBES voltaram a se manifestar publicamente nesta terça-feira. Leia a íntegra da nota:
1. A UNE e a UBES se posicionam contra a anulação do ENEM 2010. Milhões de estudantes realizaram a prova em condições adequadas, prepararam-se, e a anulação da prova seria cometer uma injustiça com esta grande maioria.
2. A UNE e a UBES são intransigentes na defesa de que os estudantes prejudicados tenham o direito a realizar uma nova prova. Nenhum estudante pode ser prejudicado sob o risco de descredibilizar o ENEM.
3. A UNE e a UBES exigem que o MEC determine OBJETIVAMENTE os critérios para que os estudantes tenham direito a este novo exame. Se o MEC não tiver condição de determinar estes critérios, a UNE defende que o critério seja opcional, ou seja, todos aqueles que se disserem prejudicados devem ter o direito a esta nova prova. O estudante que optar por não fazer esta nova prova deve ter garantida a sua nota inicial.
4. A UNE e a UBES permanecem aguardando a retratação do MEC em relação ao post publicado no twitter da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação.
5. A UNE a UBES reivindicam a criação de um Instituto Federal que será o responsável pela aplicação das provas do ENEM.
6. A UNE a UBES reivindicam ainda a marcação de uma audiência com o ministro da Educação para que representantes das entidades estudantis e um grupo de estudantes prejudicados possam discutir os pelos problemas ocorridos no ENEM.
7. Defender o Enem é, antes de tudo, corrigir os seus erros. A UNE e a UBES voltam a ressaltar que NÃO se somam àqueles que se utilizam de equivocos para derrotar o ENEM. Na opinião da UNE e da UBES, o ENEM deve se consolidar na direção da democratização da universidade brasileira como são os casos do ProUni e da seleção de dezenas de universidades federais pelo país, superando o velho modelo do vestibular, cruel método de acesso ao ensino superior no pais. O Enem é também elemento fundamental na construção do Sistema Nacional da Educação.
Portal UNE
sábado, 30 de outubro de 2010
Democracia aonde?

Diante das eleições do segundo turno para presidente me deparo com algumas declarações que me deixam um pouco decepcionadas com o nosso patriotismo e nosso civismo.
Quando colhemos depoimentos de estudantes, ex-líderes estudantis, políticos que fazem parte hoje do cenário nacional, cientistas políticos e filósofos, durante o vídeo documentário Mostra Sua Cara, nos disseram a seu ponto de vista que hoje a A União Nacional dos Estudantes (UNE) esqueceu seu verdadeira identidade, disseram ainda que integrantes da instituição que são filiados a partidos diversos, em vez de lutarem juntos por uma democracia que defenda os direitos do jovem, não! Eles defendem as ideologias do seu partido.
A UNE é a principal entidade estudantil brasileira."Teria" como objetivo representar os estudantes do ensino superior. Com os depoimentos, precisávamos é claro entrevistar o presidente da UNE, Augusto Chagas, para que ele nos responda qual a representatividade que esta entidade tem atualmente, sendo ela tradicional nos direitos dos estudantes, desde sua fundação em 1937, e claro responder se estes questionamentos feitos hoje são verdadeiros, que a entidade defende ideias de um partido. (Confira o depoimento aqui)
Em resposta, ele nos disse, que a UNE sempre foi, e sempre será uma entidade que lutará pelos jovens, sendo imparcial, mesmo que seus integrantes pertencem a algum partido político.
Mas o que vemos hoje? Há poucos dias atrás no site da UNE (http://www.une.org.br), eles colocam de manchete que estão declaradamente apoiando um candidato a presidente. E durante estes dias um série de movimentos e mobilizações eles tem realizado pelo Brasil inteiro. O que seria isso???
Novamente questiono um integrante da UNE sobre este caso, o que ele me responde?? "Diante desta polarização que a política vive atualmente, precisamos nos direcionarmos a favor do melhor para os jovens", afirma o integrante.
Mas aonde está a imparcialidade, a ideologia da UNE que foi construída e literalmente protestada em anos da ditadura militar? Tudo acabou... Será que não podemos mais nem acreditar em órgãos que "querem" nos defender?? AOnde está o verdadeiro sentido da palavra "política"?
É amigos, amanhã será um exercício de cidadania para todos nós, precisamos olhar ao fundo e ver o que queremos para nós e para o futuro.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Programa de TV aborda o engajamento do jovem na política
A sociedade vive um momento decisivo na política, pois em alguns estados já há governadores eleitos no 1º turno e agora o povo brasileiro vai as urnas para decidir para presidente.
Política, querendo ou não ela sempre fez parte da nossa vida, já que vivemos em um país democrático.
A juventude é o futuro do nosso país, e ainda existem jovens engajados na política.
Vale a pena assistir este programa que passou na TV Aparecida.
Eles abordaram o tema ‘jovens engajados na política’.
Política, querendo ou não ela sempre fez parte da nossa vida, já que vivemos em um país democrático.
A juventude é o futuro do nosso país, e ainda existem jovens engajados na política.
Vale a pena assistir este programa que passou na TV Aparecida.
Eles abordaram o tema ‘jovens engajados na política’.
Prêmio TOPBLOG 2010

Olá amigos e visitantes,
O blog está participando do Prêmio TOPBLOG 2010, até o momentos fomos um dos 100 mais votados na categoria Política. O segundo turno do prêmio já começou, e contamos com VOCÊS para alcançar este prêmio.
Juventude na política em AÇÃO!
Vamos participar e indicar para seus amigos: http://bit.ly/cR7Zvd
"Na política, a verdade deve esperar o momento em que todos precisem dela."
(Bjornstjerne Bjornson)
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Internet amplia acesso de jovens a informações sobre política

Hoje, os tempos são outros. A oferta de informação é cada dia maior e os jovens estão cada vez mais expostos à política por intermédio da internet.
Nas conversas sobre política na casa do estudante Lucas Moraes Rau, 17 anos, os pais costumam lembrar das dificuldades para se informar sobre o tema na época em que tinham a idade do filho.
Para saber quem estava à frente nas pesquisas eleitorais, quais eram as propostas dos partidos e a agenda dos candidatos era preciso esperar pelo horário do jornal ou assistir à propaganda eleitoral gratuita – uma novidade depois de 21 anos de ditadura militar, mas ainda assim, considerado monótono e pouco informativo. Hoje, os tempos são outros. A oferta de informação é cada dia maior e os jovens estão cada vez mais expostos à política por intermédio da internet. Principal usuário das redes sociais, quem ainda vai estrear o título de eleitor – jovens entre 16 e 18 anos – vez ou outra se depara com o tema. Políticos dão opinião sobre tudo no Twitter (sistema de microblog) e o número de comunidades sobre política cresce dia a dia no Orkut (popular rede de relacionamento on-line).
“Eles falam que na eleição para presidente de 1989, a [oferta de] informação era bem menor, você dependia muito do que passava na tevê. Hoje, como você fica um bom tempo conectado, uma hora ou outra você acaba lendo uma notícia de política e tem a oportunidade de se informar mais”, afirma Lucas. O colega Álvaro Baptista Neto, 16, concorda. “Com a Internet, é impossível você não ficar mais exposto. Você abre a janela e, através de um portal de notícias, já fica sabendo o que o Serra e a Dilma disseram naquele dia.”
A questão, no entanto, é o quanto essa ampla exposição resulta efetivamente em maior participação política dessa faixa etária, vista historicamente como pouco afeita a discutir os rumos do país. Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Emerson Cervi, travar maior contato com o tema não significa, necessariamente, se interessar mais por ele.
“Hoje, o que se percebe é que a internet é usada mais como um espaço de conversação do que para a aquisição de conhecimento. Nesse sentido, ela só acrescenta a quem já se interessa por política, mas não tem eficácia alguma sobre quem não gosta”, afirma.
De acordo com Cervi, a ferramento pode servir como aliada no sentido de encurtar distâncias, ser mais rápida e plural. Por meio da rede, é possível a uma pessoa que se interesse por ecologia, por exemplo, encontrar mais informações em sites, conhecer outras opiniões em blogs e criar contato com quem também acompanha a área nas redes de relacionamento. “A internet não converte ninguém, o que ela faz é pregar para quem já lhe dá espaço.”
Na opinião do secretário-geral do PSDB Jovem do Paraná, Edson Lau Filho, porém, a exposição pode despertar o interesse em jovens que ainda não são seduzidos pelo universo político. O secretário afirma que a maioria dos jovens não se conecta em busca de notícias sobre política, mas que a possibilidade de abrir várias abas e clicar em links ao longo das páginas faz com que, uma hora ou outra, os eleitores de primeira viagem acabem tomando conhecimento e até se interessando por temas que, cada vez mais, pedem a sua atenção. Na avaliação dele, a apatia da juventude em relação à política não vem de um desinteresse pelo assunto em si, mas pela forma como ele se apresenta.
“O jovem certamente é diferente do público que assiste aos jornais e acompanha o horário eleitoral gratuito, mas quando o candidato fala a linguagem dele, ele se interessa.”
*Foto: Raphael Ribeiro
Via VoteBrasil
Deputada Manuela d’Ávila: fenômeno de votos é fruto do movimento estudantil

Ela tem 29 anos, recém completados. Já foi vereadora, deputada federal e candidata a prefeita de uma grande capital brasileira – Porto Alegre. Reeleita à Câmara dos Deputados com a aprovação de quase meio milhão de eleitores (482.590 votantes), Manuela d’Ávila é mesmo um fenômeno, de público e crítica
Conquistou em 2009 o prêmio “Congresso em Foco” por sua atuação destacada no parlamento. Este ano já está entre os parlamentares indicados que melhor representam a população no Congresso Nacional. Dúvidas de que será destaque?
Em um único mandato, Manu, como é conhecida, conquistou a confiança e simpatia de novos eleitores, de jornalistas que acompanham Brasília e, ainda, dos colegas com mais tempo de carreira. Jorge Bastos Moreno, do jornal “O Globo”, não cansa de elogiar sua graciosidade e, principalmente, sua ética. Dizem que o presidente Lula a comparou com a lua em um comício no Rio Grande do Sul. Fácil entender. Assim é essa política gaúcha que fez escola no movimento estudantil, berço de inúmeros líderes. Em 2003, foi diretora da UNE-Rio Grande do Sul, período em que aprendeu o significado da disputa de opiniões, a conviver e dialogar com a diversidade e pluralidade de idéias. Comunista convicta, militante da União da Juventude Socialista, sempre tem pautado políticas para os jovens. Só para se ter uma ideia, é de sua autoria a lei que instituiu a meia-entrada para estudantes da capital Porto Alegre, além de proposta no Congresso de ampliação do benefício para estudantes de todo o país. E, entre tantas outras, vale destacar a nova Lei do Estágio, já aprovada, que fixa a jornada, regulamenta benefícios dos estudantes, e evita a precarização do trabalho juvenil.
Essa menina-mulher mantém também um blog na internet, no qual expõe opiniões, flerta com variedades e que, até durante a movimentação eleitoral, foi válvula de escape para um mundo doce, mas consciente.
Suas sucessivas eleições para o legislativo mostram um acúmulo de votos considerados fenômeno eleitoral. Você também já disputou um cargo executivo, a prefeitura de Porto Alegre. O apoio que você acabou de receber das urnas te levam a pensar em uma nova disputa daqui a dois anos?
A votação que tivemos mostra que temos o respeito e o reconhecimento do nosso trabalho em Brasília. Nos dedicamos à defesa dos trabalhadores, da juventude e do desenvolvimento, e a confiança que os eleitores demonstraram mostra que estamos no caminho certo. Sobre 2012, ainda é muito cedo para este debate.
Você também foi indicada e recebeu o prêmio por jornalistas ao Prêmio Congresso em Foco, como uma das melhores parlamentares da Câmara. Como você avalia seu primeiro mandato e quais suas propostas para a continuidade na Casa?
Fiquei muito honrada em receber o Prêmio Congresso e Foco. Primeiro por ter sido escolhida pelos internautas numa votação democrática e aberta, em segundo por ter sido a primeira parlamentar do meu estado a ter este reconhecimento. Me lembro quando cheguei a Brasília nos primeiros dias de mandato, tinha que aprender tudo muito rapidamente, nós trocamos o pneu com o carro andando, agora temos muito mais experiência e irei continuar a luta para o Brasil continuar avançando
A sua candidatura é claramente identificada com a juventude. Nessas eleições, alguns candidatos levantaram a proposta de um projeto de lei do protagonismo juvenil, que colocaria o jovem como agente principal do desenvolvimento às vésperas de dois grandes projetos, como a Copa e as Olimpíadas. O jovem ganharia uma bolsa e realizaria ações nas áreas de cultura, esporte e educação. Você acha que um projeto nesse sentido deva entrar na pauta da Câmara? Como enxerga essa ideia do protagonismo juvenil?
A questão da juventude deve ser debatida de forma transversal, ou seja envolvendo as mais diversas áreas como foi o debate do Pronasci. As questões de juventude tem relação direta com saúde, esporte, emprego, educação, ciência e tecnologia. Eu acho que o debate sobre a juventude deve ser realizado de forma ampla no Congresso, envolvendo todas estas ações, inclusive a proposta de protagonismo juvenil e conto com a UNE e a UBES para envolvermos a sociedade neste debate.
Você é uma das mais jovens parlamentares e se aproxima bastante do seus eleitores por meio das redes sociais e um blog. Acredito que deve existir muita curiosidade sobre sua vida pessoal. Qual sua rotina daria? Consegue ter uma vida comum, família, amigos, balada, além da política?
Nós trabalhamos muito, mas ainda busco encontrar tempo para minha família e meus amigos.
Como você avalia sua passagem pela UNE como vice-presidente em 2003? Qual foi a importância dessa passagem para a sua formação política?
Foi uma experiência importantíssima para mim. Na UNE, nós aprendemos a dialogar e debater com todas as forças políticas de forma democrática.
O que anda lendo, último filme e restaurante.
Ainda nem tive tempo de ver minha família, estes últimos dias foram de muito trabalho, muita conversa, muito debate e muita campanha. Espero poder voltar a ir ao cinema em breve.
Via EstudanteNet
Assinar:
Postagens (Atom)